quinta-feira, 30 de abril de 2009

Namorados e iogurtes

Dia 14 é o Dia de S. Valentim. Não conheço a crónica a tal santo, mas a minha intuição diz-me que deve ser uma invenção americana com duvidosos fins extorcionistas, uma espécie de versão romântica do pagão Pai Natal, só que em vez de dar presentes às crianças, dá aos namoradinhos. Por todo o lado enfeitam-se montras de corações redondos e vermelhuscos e as agências de publicidade aproveitam a boleia para fazer promoções e campanhas alusivas ao tema.
Namorados. São uma coisa porreira. Dão-nos rosas, escrevem-nos poemas, compram-nos cartões com ursos ramelosos e “fofinhos” da colecção Forever Friends, olham para nós com aquela expressão que têm os cães da União Zoófila e enchem-nos os dias de amor e romance. Os mais dotados e dedicados trazem o pequeno almoço à cama, cantam-nos Caetano Veloso ao ouvido – ou, no mais apurado estilo poético, declamam David Mourão-Ferreira num tom que só nós ouvimos – levam-nos às Caraíbas, oferecem-nos livros maravilhosos e discos inesquecíveis. Os mais tradicionais gostam de nos levar a jantar fora aos restaurantes da moda, os artísticos preferem levar-nos ao teatro, ou a Porto Brandão numa romântica viagem de cacilheiro ao fim de semana com as gaivotas por companhia e meia dúzia de gatos pingados avulso no mundo.
Namorados. São uma coisa porreira. Fazem-nos sentir a nós mulheres bonitas, únicas, amadas e desejadas. Chamam-nos Pequeninas, Princesas e outras delícias para o ouvido e o coração, enchem- se de paciência para ouvir os nossos desabafos e alinham com os nossos amigos. Alguns até têm um dom especial para lidar com as nossas mães, mas isso é uma singularidade rara, não podemos contar com ela no comum mortal.
Namorados. São uma coisa porreira. Até ao dia. O dia em que acordam e ficam com dúvidas, acendem a luz de alarme do complicómetro e começam a pensar no-que-é-que-isto-vai-dar, ou então ligam o radar que é outra peça que vem sempre acoplada ao macho e descobrem que o mundo está cheio a abarrotar de Princesas, Pequeninas e outros seres maravilhosos com longas pestanas, calças de ganga justas e cabelos compridos. E que muitas delas, coitadinhas, estão tão sozinhas, mesmo a precisar de companhia.
Como dizia o outro – desculpem andar-me a repetir com citações, parece que já usei esta, mas para mim é mais ou menos como o puré de batata nos menús dos colégios, dá para tudo – o homem caça e luta, a mulher intriga e sonha. E caça mesmo. Perdizes, narcejas, galinholas, Cláudias, Kátias ou Luisas, tanto faz. No couto ou no Lux, é indiferente. Ao meio dia num campo descoberto ou às cinco da manhã na pista da Kapital, não é relevante. O que o Homem gosta é do acto predador: se é um safari no Quénia ou uma saída na movida lisboeta, tanto faz. Há que apanhar uma presa e dar-lhe cabo do canastro. O que é preciso é um tipo manter-se vivo, dizia-me outro dia um caçador nato. Como se a vida dependesse disso.
Namorados. São uma coisa porreira, se nunca nos esquecermos que são como os iogurtes: saborosos, docinhos, deliciosos, mas com prazo de validade. Mas há que olhar para o lado do bom da coisa e fazer como diziam os romanos carpe diem, que é como quem diz, aproveitar o dia e esperar pelo dia seguinte sem esperar nada. Com um bocadinho de sorte, pode ser que ele ainda lá esteja, ou telefone, ou não lhe tenha apetecido ir às narcejas. Ou às Cláudias.

Quem tem mãe, tem tudo

Todos os homens têm 3 grandes problemas na vida: o ego, o tamanho do dito cujo e a mãe. E é extraordinário como tudo acaba por andar à volta desta trilogia maldita. E a mais difícil, porque tem raízes mais profundas e já existia antes da dita cuja fazer falta e do ego se consciencializar, é a mãe, esse ser mítico e incontornável que aterroriza e fascina os pequenos desde o dia em que nascem até ao dia em que morrem. E se quem tem uma mãe tem tudo e quem não tem mãe não tem nada, quem as tem também tem uma carga de trabalhos, porque uma mãe pode ser uma cruz, um peso, uma seca, o inferno na terra, mesmo quando se pensa que é uma santa. Até porque o Édipo é um complexo ao qual infelizmente muito poucos escapam. E quando ele matou o pai e se casou com a mãe, é certo que não sabia o que estava a fazer, nem uma coisa tem a ver com a outra porque o jovem não matou o senhor para empernar com a senhora, mas factos são factos e contra factos não há argumentos: a mãe é, quer se queira que não, a primeira mulher da vida de um homem. Para o bem, para o mal, e para toda a vida, quer se queira quer não. É aqui que a linda e cara palavra inevitabilidade se pode aplicar com todo o seu rigor e esplendor.
Os povos latinos é que são bons nisto: conseguem viver uma vida inteira debaixo das saias da maezinha e achar isso normal. A mãe latina – espanhola, portuguesa, italiana ou sul americana – é uma mãe vasta, generosa de formas e de coração, protectora incansável dos seus rebentos, muito dada ao fogão e ao tanque, que deixa de viver a vida dela em função dos animais que tem em casa, marido e filhos, entenda-se. É uma mulher fogosa mas submissa, que mesmo que seja directora financeira de uma multinacional e facture por ano o triplo do que o marido, acha a coisa mais normal do mundo passar a camisa do marido a ferro antes do pequeno almoço se este precisa. A mulher latina é uma boa mulher e uma óptima mãe, mas educa mal os maridos e ainda pior os filhos, que crescem como animais selvagens tendo como dado adquirido que as mulheres são todas como a mãe, chegadas ao tanque e ao fogão. E se não são, é porque são todas umas p... enfim, vocês já sabem o resto. Estas mães zelosas e dedicadas projectam todo o amor doentio que carregam no peito nos filhos e eles, coitados, tornam-se uns incapazes, porque têm como adquiridas realidades que já não existem. Meus amigos, convençam-se disto: já não há mulheres domésticas. Nós agora trabalhamos e também gostamos de mandar. E se não mandamos nem que seja um bocadinho, podem voltar para casa da mamã, lugar do qual nunca deviam ter saído.
E se se dá o caso da mãe não só não ser nenhuma santa como também ser uma grandessíssima bruxa, então é que a rapaziada fica toda estragada. Uma mãe que não deu amor aos rebentos, transforma os homens em bichos. Uma mãe que nunca ligou aos filhos faz homens confusos inseguros e desconfiados. Uma mãe violenta faz homens violentos. Uma mãe autoritária cria rapazes que mais parecem bananas com olhos. E por aí fora. Conheço alguns casos de filhos de mães bruxas e são histórias tristes; os filhos, além de fazerem sofrer imenso as mulheres com quem andam, também sofrem um bocado porque isto é como tudo na vida e as acções ficam com quem as pratica. Porque uma mãe – ou a mãe , como gostam de dizer os betos – é uma espécie de label, de ferro em brasa na manada, de marca de nascença: deixa sequelas para sempre na vida de uma pessoa. Estou muito freudiana, eu sei, mas o tema puxa e o Freud sabia alguma coisa disto. E mesmo que um homem odeie a sua mãe, pode acontecer que se apaixone por uma mulher do mesmo género. É o destino e o destino é fatal. Ou então, para compensar os traumas de infância, arranja uma desgraçada em quem descarrega todo o fel acumulado desde a infância. É para estas coisas que servem os psiquiatras.
No meio deste quadro de miséria, vão aparecendo de vez em quando uns rapazes que, como têm uma mães porreiras, são bons da cabeça e do resto. São filhos de mães despachadas, divertidas, actuais, elegantes e determinadas, sem complexos feministas que tratam bem os filhos sem os endeusar. São as mães modernas, que já chegaram ao mundo ocidental há mais de vinte anos, mas como sempre acontece neste lindo quintal à beira-mar plantado, só agora têm aparecido. Uma mãe porreira, divertida, descontraída que vai com os filhos ao cinema e janta nos mesmos restaurantes é condição quase suficiente para ter um filho que trate bem as outras mulheres. São mães que adoram ser mães, mas também adoram ser mulheres, ganhar dinheiro, jantar fora com as amigas e ter vida própria. São protectoras mas críticas, interessadas sem se meterem, são confidentes mas discretas e estão ali para ajudar. Os filhos de mães deste calibre são óptimos maridos e namorados, têm espírito de família e apreço pela vida caseira e não acham que o fogão e o tanque sejam uma obrigação exclusivamente feminina. Nem sequer acham que sejam uma obrigação. Têm respeito pelas mulheres e sabem ouvi-las. E sobretudo – isto é mesmo o mais importante – sabem gostar delas. É claro que lhes pode acontecer à mesma, como aos outros, interessarem-se por uma mulher que, em alguns aspectos, seja parecida com a própria mãe. Mas isso não é um defeito, é feitio. E se a mãe for uma boa referência, que mal tem? Para esses processos inconscientes já não faz falta nenhuma um psiquiatra. Quem é que disse que a vida é um eterno regresso a casa? Não sei ao certo, mas deve ter sido uma mãe.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Crónica " Os intervalos grandes "

Aqui na escola , nada se passa é sempre a mesma rotina tal seja no intervalo ou no resto do tempo todo .
Sempre assim foi , não só aqui como em qualquer escola do pais .
Vêm uns , entram outros ... Isto tudo se passa no bar . Parecem formigas á procura de açucar ! Que tédio , nunca há tempo para se fazer nada neste " cubiculo " ... Ainda por cima 15 minutos de intervalo ? Não dá mesmo para nada ! Enfim e ainda falta falar do tempo que não é ir buscar as senhas ... Dá sempre confusão , claro a fila é sempre quase até á porta e quase sempre se vai buscar senhas para dois dias . Ah e ainda o cigarrinho , eu não fumo mas há quem o faça e nem sequer têm tempo de o acender com tanta asafama nestes 15 minutos que são minimos para fazer tanta coisa . Quando se chega a sala , passado 5 , 10 minutos da hora em que a campainha toca os professores lá vêm com a mesma lenga lenga " Só agora ? " , " Isto é que são horas ? " Por vezes têm razão em falar assim , pois ás vezes abuza-se mas a verdade seja dita mais 15 minutos de intervalo não faziam mal a ninguém .